01º.02.08 Pela excelente contribuição para o bom rock, se o Interpol parasse sua carreira após o segundo disco daria uma imensa vontade de quero mais, porém resolveram continuar. E brilhantemente. Essa é uma das poucas bandas da nova geração que ainda me dá uma sensação de esperança na cena musical dos dias de hoje. “Our Love To Admire” é o resultado de uma carreira coesa e com muita personalidade. Desde que ligou as guitarras rápidas em “Turn On The Bright Lights” e surpreendeu o mundo, a banda garantiu seu lugar, encontrando milhões de pseudodarksaudosistadepressivos que ainda ouviam “Love Will Tear Us Apart” em boates no século 21. Neste registro fonográfico, vamos parar no meio de uma savana na África. As imagens do CD, que também aparecem no site da banda, são cruas, violentas, ameaçadoras, cruéis. Apresentar essa perspectiva do amor como admirável pode ser uma grande ironia ou um grande desafio, mas é o que o Interpol parece fazer neste trabalho. Longe do romantismo evidente e fácil, as letras do vocalista Paul Banks não contam historinhas. Elas são um mosaico de metáforas que aludem disputas, escolhas, medos e as implacáveis leis da natureza, que se aplicam ao homem e à estranha lógica de seus relacionamentos. A segurança quase arrogante com que a banda se afirma e se supera musicalmente se destaca em “Our Love to Admire”. Entre tantos grupos que agradam porque surpreendem pela simplicidade e entusiasmo, este quarteto nova-iorquino se coloca à parte por ser um dos poucos que empinam o nariz, mas dão conta do recado. O Interpol faz sua música à altura da pose. “Our Rock to Admire”, eles poderiam dizer, porque a qualidade do que fazem é realmente digna da admiração que estes competentes e superlativos músicos merecem. Bom, vou preparar o bolso pois dia 11 de Março eles tocam no Via Funchal!!!
>Duas músicas que salvam a hora: "No I In Threesome" e "The Heinrich Maneuver"
O título deste álbum seria algo como “Enganar o Mundo” em francês, porém não é nada mais que o disco de despedida dos Pixies que não enganaram ninguém no quesito fazer um bom barulho na falta de criatividade reinante do final/começo de décadas. Na verdade está mais para um disco solo de Black Francis, uma vez que Kim Deal pouco aparece no disco; talvez se não estivessem de “biquinho” um para o outro, o resultado teria sido ainda melhor. Pelas músicas nota-se que o fascínio de Francis por ficção científica trilha a audição. O disco abre com a pomposa faixa-título, “Trompe Le Monde”, mais um exemplo de melodia grudenta que o Pixies fazia como ninguém. Logo depois, vem “Planet of Sound”, que foi composta para nossos amigos marcianos, numa espécie de descrição de Black Francis do planeta em que vive (por sinal, bastante barulhento). “Alec Eiffeel” é uma singela música doce e bonitinha que provoca inevitáveis sorrisos em quem a escuta pela primeira vez, principalmente quando chega a parte “oh Alexander I see you beneath / the archway of aerodynamics”... “The Sad Punk”, com elementos hardcore, é uma porrada de primeira, regada com os costumeiros berros ensandecidos inspiradíssimos. Aparece então uma cover: “Head On” na verdade uma versão mais teatral (tragicômica) do clássico do Jesus And Mary Chain, tributo mais do que válido. “U-mass” denuncia com ironia a mediocridade dos incautos universitários sendo manipulados por um sistema hipócrita: “it’s educational”. "Subbacultcha" é das mais inventivas em termos rítmicos, provocativa e menos centrada na pauleira tradicional. "Palace Of The Brine" e "Letter To Memphis" são verdadeiras aulas de como se construir uma canção pop sem abrir mão dos princípios alternativos. Extremamente belas e melódicas. "Bird Dream Of The Olympus Mons" têm um climão, "Lovely Day" é a última surf-music-frenética que eles fizeram e "Motorway To Roswell" investe novamente nas contruções melódicas que permeiam o trabalho. “Distance Equals Rate Times Time” parece seguir o mesmo padrão de “Bird Dream...”, porém ainda mais lisérgico. O baixo de Kim dita a última faixa, “The Navajo Know”, explicitando a sua crucial importância para a história do Pixies. Apesar de ser o último disco da banda, “Trompe Le Monde” ainda consegue manter a qualidade Pixies de sempre, mesmo que as brigas e intrigas já estivessem em um estágio avançado, que mais tarde culminaria no fim da banda.
>Duas músicas que salvam a hora: "Head On" e "Motorway To Roswell"
28.01.2008 No início dos anos 70, o mundo ainda vivia o efeito devastador da transformação social ocorrida no final da década passada. Reinava a expectativa de sobre como o mundo reagiria dali por diante após mudanças tão radicais. Os dias atravessados por Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright não eram nada comparados aos passados acerca de três anos antes. Quando a nova década se avistava, um novo álbum precisava ser lançado. A concepção do projeto “Atom Heart Mother” não foi nada fácil. A obra tinha que causar impacto, prenunciando como seria o novo Pink Floyd. Após várias discussões, veio de Roger Waters a idéia de compartilhar o processo de autoria do álbum com Ron Geesin, músico de jazz, expoente da cena vanguardística londrina. A idéia foi de pronto apoiada por Mason, que o conhecia de outros tempos, pois trabalhava com a produção de trilhas sonoras de filmes e programas de televisão. Várias demos de material inédito foram entregues a Geesin, sob o desafio de que ele conseguisse extrair desse material algo que prestasse. As fitas se constituíam, na maior parte, de sobras de gravações das referidas trilhas sonoras. Após quebrar a cabeça pensando no que fazer, ele propôs à banda algo inédito até então na música pop mundial: a elaboração de uma suíte, nos moldes dos clássicos eruditos, subdivididas em vários atos. Foi a partir daí que surgiu a polêmica faixa título do álbum. Trancafiados nos estúdios da EMI, em Abbey Road, o Pink Floyd deu início às gravações de um dos discos que mais despertam sentimentos ambíguos: ou se detesta ou se admira, não há como ser indiferente. “Atom Heart Mother”, a música, se apresentou como uma grande peça teatral, subdividida em seis atos. A suíte apresentou uma duração aproximada de 24 minutos. O início é impactante com “Father’s Shout”, onde é dada uma pequena demonstração do virtuosismo do grupo, tendo ao fundo a desafinação dos instrumentos de sopro simulando vozes humanas. Após, vem “Breast Milky”, marcada pela impecável interpretação do coral, sustentada pela melodia marcante dos teclados de Wright. “Mother Fore” retoma a instrumentalidade da faixa, com uma estrutura bluesística, alternada com vocais furiosos. “Funky Dung” apresenta a experimentação das faixas em estúdio de “Ummagumma”, onde uma mescla de ruídos estereofônicos cria um cenário de suspense, originando uma estrutura que viria a ser retomada em “Echoes” (do álbum "Meddle") e “On The Run” (de "Dark Side of The Moon"). “Mind Your Throat Please” retoma a musicalidade da canção. O “grand finale” vem com “Remergence”, que repete as estruturas da primeira parte, em um final apoteótico. A faixa é uma experiência auditiva fantástica, visto que o álbum foi um dos primeiro a ser gravados no sistema quadrofônico estéreo, que subdividia o som de cada instrumento em um canal diferente para o ouvinte. Algo complexamente trabalhado que tomou o lado A inteiro do álbum, numa experiência inédita no Rock mundial. O lado B do álbum começa com a cativante “If”, de autoria de Waters. À primeira vista parece uma cantiga de ninar, porém, quando examinada a letra se vê uma forte ode à insanidade humana. O violão dedilhado cortado pela guitarra de Gilmour é um clássico. A letra, marcada por suposições, (vide os versos “If i were a swan, I’d be gone / If I were a train, I’d be late / If I go insane / Please don’t put your wires in my brain”) foi feita, sem dúvida, em homenagem a Syd Barret e seu momento difícil. Segue-se a esta “Summer ‘68”, uma das melhores músicas do grupo. De autoria de Wright, trata-se de uma canção singela sobre um relacionamento efêmero seu com uma groupie no verão de 1968. A música segue o seu curso normal até que, de repente, é cortada pela clássica intervenção de Gilmour gritando “How do you feel?”, como se questionando o ouvinte do que sente no momento. A faixa de Gilmour, “Fat Old Sun”, traz a mesma estrutura melodiosa anteriormente apresentada pelo grupo na faixa “Green Is The Colour”, da trilha do filme “More”. Trata-se de uma balada, onde a melhor parte, sem dúvida, é o solo de guitarras no fim da faixa. “Fat Old Sun” ficou famosa por ser a música de trabalho do álbum e pela interpretação forte do grupo em seus shows ao vivo, em quase nada lembrando a versão calma gravada em estúdio. O disco acaba com “Alan Psichedelic Breakfast”, outra faixa conceitual. Com duração de cerca de 13 minutos e subdividida em três atos (“Rise and Shine”, “Sunny Side Up” e “Morning Glory”), a faixa consiste basicamente em experiências estereofônicas que buscam retratar sonoramente o café da manhã de Alan Stiles, um dos roadies do grupo. Na faixa, é possível ouvir o bacon fritando e alguém fazendo sua higiene pessoal. A música só foi interpretada uma vez ao vivo, tendo a banda, no palco, fritado o bacon e tomado café em frente a um incrédulo público. Além da música, o disco tem uma das capas mais enigmáticas da história da música. O bovino mais famoso do rock mundial aparece tanto no vinil, quanto no CD. A rês Lullubelle III, uma cruza das raças holandesa e normanda (ao contrário de suas colegas da contracapa, puramente holandesas), foi fotografada em uma propriedade rural do interior da Inglaterra. A gravadora pagou ao dono da propriedade cerca de mil libras pelos “direitos de imagem” do animal. A propriedade virou ponto turístico, e Lullubelle, uma celebridade do showbusiness mundial.
>Duas músicas que salvam a hora: "If" e "Fat Old Sun"
23.01.2008 25.01.2008 Por muitos anos, este álbum duplo foi um dos mais populares na fase pré-“Dark Side of the Moon” do Pink Floid, chegou a ser o 5º mais vendido no Reino Unido e o 74º nos EUA, sendo a primeira vez que a banda conseguia pôr um álbum na lista norte americana dos 100 mais vendidos. O álbum gravado ao vivo registra apresentações no Mothers Club Birmingham em 27 de Abril de 1969, e na semana seguinte no Manchester College of Commerce em 02 de Maio. Todas as canções são muito superiores às originais de estúdio, são tocadas “louder and harder”. Já em sua parte de estúdio, há uma grande amostra de experimentalismo dos integrantes, onde cada um destila seu instrumento em faixas quase todas instrumentais. A capa do álbum tem variantes entre as versões britânica (e canadense) e a americana. A versão britânica tinha Gigi escrito imediatamente acima do nome da banda, o que foi apagado na versão americana possivelmente devido a questões de copyright. Outra curiosidade é possuir a música com o maior título da história do Pink Floyd, e provavelmente da história do rock: “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict”
>Duas músicas que salvam a hora: "Set the Controls for the Heart of the Sun" e "Grantchester Meadows"
22.01.2008 Anos 80. Década do auge das bandas de hard rock. Quando tudo parecia estar resumido à maquiagem, purpurina e cabelos repicados, surge nos EUA uma bandas que daria vida nova ao circuito do rock alternativo: Pixies. Com um som que mesclava elementos básicos do punk rock, surf music, noisy guitar, passando mesmo pela suavidade da música pop, o Pixies surgiu como um cometa, ou melhor, um meteoro: rápido e fulminante. A banda foi formada em Boston, Massachusetts, no começo de 1986, por Charles Thompson, que depois mudaria seu nome para Black Francis (mais tarde, ele mudaria para Frank Black, mas ai já é uma outra história), nos vocais e guitarra base, e seu companheiro de quarto na universidade Joey Santiago na guitarra base. Através de um anúncio nos classificados encontraram Kim Deal, uma baixista de Ohio, que tocara antes com sua irmã no The Breeders. Completa a formação o baterista David Lovering (amigo de Deal). A banda foi batizada por Black, que gostou da definição que o dicionário trazia para "PIXIES": pequeno elfo malicioso. Quando 1990 chega e é lançado o terceiro álbum “Bossanova”, nota-se os primeiros sinais de que nem tudo eram flores no mundo encantado dos Pixies. Brigas internas entre Black e Deal começavam a minar o futuro da banda. Sendo que as participações vocais da baixista rareavam.
>Duas músicas que salvam a hora: "Velouria" e "All Over The World"
21.01.2008 1977, auge do punk rock. A onda é fazer barulheira simples e direta, e dizer que faz isso como protesto contra o rock clássico e cheio de firulas. E é no meio do fogo cruzado entre as superproduções dos anos 70 e a barulheira do punk raivoso que o até então professor Mark Knopfler, seu irmão mais novo, o assistente social Davis Knopfler (ambos nascidos em Glasgow e criados em Newcastle) e o estudante de sociologia, John Illsey juntam-se a Pick Whiters, ex-baterista dos estúdios Dave Edmund's Rockfield para propor uma misturava influências de blues, country e jazz e formar uma das poucas bandas que conseguiram fazer com seu som uma assinatura. É difícil fechar os olhos ouvindo alguns dedilhados na guitarra de Mark e não associar o som ao Dire Straits. “Communiqué” é o segundo álbum da banda. Gravado nas Bahamas depois do estrondoso sucesso da estréia, conseguiram firmar-se no cenário musical desmentindo aqueles que não acreditavam na capacidade de Mark surgir com novos riffs e até superar em vendagem o primeiro álbum.
>Duas músicas que salvam a hora: "Communiqué" e "Lady Writer"
18.01.2008 Compilação do selo Azuli Records que dá oportunidade aos artistas e produtores de mostrar as músicas que tocam em seu playlist de casa, além de produzirem os mais belos encartes de CD dos que tenho visto. No site da série falam que é pedido para os convidados a colocar músicas que os inspiram a fazer seu trabalho. Gente de peso já passou por essa experiência como Fatboy Slim, AIR, The Flaming Lips, Jamiroquai e Groove Armada. Agora foi a vez do Belle And Sebastian. O álbum mostra bastante de onde vem sua pluralidade musical e como se tornaram queridinhos do mundo Indie. Com uma seleção que vai do hip-hop à música clássica; e é claro, declaram seu amor ao Brasil colocando uma música de Gal Costa e cantando outra em português (Cassaco Marrom). Excelente e surpreendente disco, para colocar em pequenas reuniões ou mesmo para relaxar a mente após um dia de trabalho e lembrar que existem coisas boas na vida.
>Duas músicas que salvam a hora: “Here's What's Left" e "French Disko"
Eu não sei dançar, apenas engano.
não sei cantar, apenas tento.
e às vezes nem sei agir...
Sou desobediente e organizado do meu jeito.
Valorizo família.
Não me sinto à vontade em certos lugares, ficando impossível de agir naturalmente.
Aliás, quem realmente me conhece nem precisa perguntar como estou, só pelos meus atos e minha cara já se sabe, mesmo se tentar esconder, sempre deixo algo escapar.
Gosto de atazanar as pessoas, geralmente quando estão entretidas com algo. Acho extremamente divertido.
Por falar em divertido, se você me encontrar tendo um ataque de risos, não me pergunte o porquê, não conseguirei responder e só irá fazer a crise piorar.
Tenho manias idiotas.
Meu maior medo é magoar aqueles que eu gosto, então pareço um idiota, às vezes, pedindo desculpas sem motivo.
Se você por um acaso for surpreendido por um presente meu, preocupe-se, você deve ser importante na minha vida.
Ninguém acredita no tamanho da minha timidez.
Detesto acordar cedo quando não preciso.
Gosto de surpresas, das que são boas, principalmente aquelas que noto que a pessoa, por alguns minutos, reparou nos meus pequenos gostos, que exigem pequenos gestos.
Pessoa comum e coerente...