Desde que o Pearl Jam lançou o álbum "Binaural" (2000), uma série de coisas aconteceu com a banda e com o mundo. 11 de setembro. A tristeza de perder nove fãs no Festival de Roskilde, na Dinamarca. Talvez tenha sido tanto sofrimento para pessoas tão esperançosas, lutadoras e defensoras de causas nas quais acreditavam piamente, que a quebra foi inevitável. O Grunge ficou para trás e 2002 foi o ano do lançamento do sétimo álbum de estúdio de uma das bandas mais adoradas, odiadas e copiadas da década de 90. E, ao contrário do que se pode imaginar, dessa vez a quebra foi grande mesmo. A essa altura, tudo que deveria ser dito sobre o álbum do final de 2002 já deve ter sido dito. Ou quase tudo. A maior parte das 15 faixas do álbum trata de temas como o questionamento da vida e da morte, conflitos pessoais e o amor. É nítida uma preocupação com a forma como o homem guia o mundo, onde a ganância e o egoísmo ditam as regras.O antagonismo de sentimentos presente nas músicas de "Riot Act" acaba por isolar certas canções e destacá-las, merecidamente ou não, por sua singularidade em relação ao todo. "Green Disease" poderia ter figurado em "O Descobrimento do Brasil" da Legião Urbana, se fosse em português; e, claro, "Love Boat Captain", a canção em que Eddie exorciza os monstros dos nove jovens mortos durante a turnê de "Binaural" com versos de Lennon ("I know it’s already been sung, it can’t be said enough: Love is all we need, all we need is love.").
No entanto, a revolta com o mundo, que culmina na pergunta de "1/2 Full" ("Won't someone save? /Won't someone save... /The world?"). "Riot Act" mostra um Pearl Jam cansado de lutar sozinho e pedindo ajuda para que outros passem a comprar a briga.
Não soa como uma despedida, mas nos dá indícios de que até eles já se incomodaram com o fato de nada ter mudado em “Bushleaguer”, uma declarada crítica ao presidente americano ("I remember when you sang/That song about today/Now it's tomorrow and/Everything has changed"). O sonho de doze anos atrás não se realizou e as decepções acabaram por nos presentear com um álbum cheio de homenagens àqueles que, com boas influências, cruzaram o caminho da banda. Por isso mesmo, Lennon ganha novo timbre e Neil Young, de "Harvest Moon", volta a ser lembrado com uma gostosa balada, "Thumbing My Way".
Com tantos anos na estrada, o Pearl Jam ainda não foi cercado pela complacência musical que vem com o avanço da idade. "Riot Act" é um dos mais interessantes álbuns já feitos, em especial, as composições.
O encarte do álbum segue o padrão similar ao dos anteriores, com uma capa bem elaborada e um livreto com letras (batidas à máquina por Vedder) e fotos tiradas pelo baixista Jeff Ament e o fotógrafo Danny Clinch. O álbum é dedicado a John Entwistle (baixista do The Who, que faleceu em abril de 2002), Dee Dee Ramone (baixista do Ramones, faleceu em 2002) e Ray Brown.
>Duas músicas que salvam a hora: "Cant Keep" e "Green Disease"
>Para escutar: http://www.mediafire.com/?4gpeuiamo1j
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