A saída de Barrett foi um grande choque para a banda. Como o Pink Floyd poderia continuar sem seu idealizador, compositor e guitarrista? Muitos previam a morte certa da banda. Mas uma nova era estava prestes a surgir. O álbum “More” foi o início tímido desses novos tempos. O terceiro disco da banda foi feito sob encomenda, a pedido do diretor francês Barbet Schroeder, para compor a trilha sonora do filme homônimo. Foi o primeiro trabalho de Shroeder como diretor. Pouco é conhecido sobre a gravação do álbum, porém, segundo Roger Waters, a trilha sonora foi um tipo de “favor pessoal”. As canções foram gravadas em apenas uma semana durante o mês de março de 1969, quando a banda interrompeu a gravação de “Ummagumma” para trabalhar no “favor”. O disco revela uma banda mais bucólica, contendo momentos que flertam com o Heavy Metal e o Blues. Aqui Waters já começa a demonstrar sua capacidade como competente letrista. Vale ressaltar que More foi o primeiro álbum totalmente produzido pelo Pink Floyd.
>Duas músicas que salvam a hora: "Green Is the Colour" e "Cymbaline"
15.01.2008 Em 1992, então em início de carreira, o Pearl Jam fez show acústico para a MTV. Como já disse antes, a banda não curtiu o resultado; a gravação foi esquecida e se tornou item valioso entre a discografia pirata do grupo americano. Daí o interesse por “Benaroya Hall Oct. 22nd 2003”, primeiro álbum acústico oficial do Pearl Jam. Nada mais justo ser gravado em sua cidade natal, Seattle (EUA), terra natal do grupo, a guitarra elétrica não é totalmente dispensada, mas os violões estão em primeiro plano. O disco duplo reúne 26 músicas, totalizando mais de duas horas. Apesar de seu tom linear, o CD preserva a energia da banda em cena. A seleção do repertório que é de causar espanto. O Pearl Jam não se deu ao trabalho de adaptar para o formato acústico seus maiores sucessos mais pesados, casos de “Alive” e “Even Flow”. A opção foi por pérolas do “lado B” do grupo (muitas recuperadas no álbum Lost Dogs) e por músicas que já se enquadravam por natureza num ambiente acústico. Entre recriações de sua produção autoral, o Pearl Jam faz boas incursões pelos repertórios de Bob Dylan em “Masters of War”, “I Believe In Miracles” dos Ramones, Shel Silverstein em "25 Minutes to Go" (imortalizado por Johnny Cash em seu álbum ao vivo “At Folsom Prison”), e "Crazy Mary" de Victoria Williams. O cover de “Masters of War”, de Dylan, é especialmente brilhante, com a voz de Eddie Veder em crescente escala emocional. Grunge fora da tomada!
>Duas músicas que salvam a hora: "I Believe In Miracles" e "Daughter"
11.01.2008 Desde que o Pearl Jam lançou o álbum "Binaural" (2000), uma série de coisas aconteceu com a banda e com o mundo. 11 de setembro. A tristeza de perder nove fãs no Festival de Roskilde, na Dinamarca. Talvez tenha sido tanto sofrimento para pessoas tão esperançosas, lutadoras e defensoras de causas nas quais acreditavam piamente, que a quebra foi inevitável. O Grunge ficou para trás e 2002 foi o ano do lançamento do sétimo álbum de estúdio de uma das bandas mais adoradas, odiadas e copiadas da década de 90. E, ao contrário do que se pode imaginar, dessa vez a quebra foi grande mesmo. A essa altura, tudo que deveria ser dito sobre o álbum do final de 2002 já deve ter sido dito. Ou quase tudo. A maior parte das 15 faixas do álbum trata de temas como o questionamento da vida e da morte, conflitos pessoais e o amor. É nítida uma preocupação com a forma como o homem guia o mundo, onde a ganância e o egoísmo ditam as regras. O antagonismo de sentimentos presente nas músicas de "Riot Act" acaba por isolar certas canções e destacá-las, merecidamente ou não, por sua singularidade em relação ao todo. "Green Disease" poderia ter figurado em "O Descobrimento do Brasil" da Legião Urbana, se fosse em português; e, claro, "Love Boat Captain", a canção em que Eddie exorciza os monstros dos nove jovens mortos durante a turnê de "Binaural" com versos de Lennon ("I know it’s already been sung, it can’t be said enough: Love is all we need, all we need is love."). No entanto, a revolta com o mundo, que culmina na pergunta de "1/2 Full" ("Won't someone save? /Won't someone save... /The world?"). "Riot Act" mostra um Pearl Jam cansado de lutar sozinho e pedindo ajuda para que outros passem a comprar a briga. Não soa como uma despedida, mas nos dá indícios de que até eles já se incomodaram com o fato de nada ter mudado em “Bushleaguer”, uma declarada crítica ao presidente americano ("I remember when you sang/That song about today/Now it's tomorrow and/Everything has changed"). O sonho de doze anos atrás não se realizou e as decepções acabaram por nos presentear com um álbum cheio de homenagens àqueles que, com boas influências, cruzaram o caminho da banda. Por isso mesmo, Lennon ganha novo timbre e Neil Young, de "Harvest Moon", volta a ser lembrado com uma gostosa balada, "Thumbing My Way". Com tantos anos na estrada, o Pearl Jam ainda não foi cercado pela complacência musical que vem com o avanço da idade. "Riot Act" é um dos mais interessantes álbuns já feitos, em especial, as composições. O encarte do álbum segue o padrão similar ao dos anteriores, com uma capa bem elaborada e um livreto com letras (batidas à máquina por Vedder) e fotos tiradas pelo baixista Jeff Ament e o fotógrafo Danny Clinch. O álbum é dedicado a John Entwistle (baixista do The Who, que faleceu em abril de 2002), Dee Dee Ramone (baixista do Ramones, faleceu em 2002) e Ray Brown.
>Duas músicas que salvam a hora: "Cant Keep" e "Green Disease"
08.01.2008 Álbum de transição onde a banda despedia-se das canções relativamente concisas e vívidas de Syd Barrett para as etéreas e espaciais músicas instrumentais. Na excursão para promover o primeiro disco nos Estados Unidos, a qual obrigatoriamente deveria passar pelos principais programas de auditório, Barrettt, já afetado pelo LSD, ficava no palco olhando o horizonte, nos shows permanecia parado tocando a mesma nota; para uma banda que almejava o profissionalismo não era esse um comportamento saudável. David Gilmour foi recrutado para agüentar a ponta, sem trocadilho. No disco, a influência de Barrett ainda é sentida, a jovial "Jugband Blues" é a última contribuição para o Pink Floyd com letra autobiográfica, e parece descrever sua esquizofrenia. Porém, já se visualiza a liderança nesta segunda fase da banda por Roger Waters; em "Corporal Clegg" mostra o começo de sua obsessão pelo recorrente tema da Segunda Guerra Mundial, onde perdeu seu pai. O Rock Progressivo de suíte longa inunda a faixa título, que seria uma trilha para os próximos álbuns.
>Duas músicas que salvam a hora: "Remember A Day" e "Corporal Clegg"
“It's the end, the end of the 70's. /It's the end, the end of the century.” Cantava Joey Ramone despedindo-se da década que lançou o grupo.
Em 1980, os Ramones já tinham quatro discos lançados em menos de 3 anos. Somente por “Ramones”, “Leave Home”, “Rocket to Russia” e “Road to Ruin” eles já teriam o nome escrito na história do rock. O disco homônimo é o primeiro lançado por uma banda punk, o mais cru de todos, mas já continha a semente do que a banda sempre soube, e quis ter: sensibilidade pop, refrões ganchudos e as letras de amor. Os dois albuns seguintes aumentaram essa tendência bubblegum, até que em “Road to Ruin” eles voltaram a um som mais pesado.
É então que Joey, que sempre foi a alma pop do grupo, resolve realizar um sonho de adolescência: gravar um disco produzido por Phil Spector. O criador do Wall of Sound e mentor das Ronettes, Shirelles e tantos outros Girl Groups do início dos anos 60 não produzia mais tantas bandas, e sendo um fã desse pop dourado e reverberante, Joey resolveu que seria uma boa idéia.
Spector era um gênio, claro. Mas também era insano. Famoso por ameaçar John Lennon com uma arma, não se comportou de forma diferente com a banda. Perfeccionista, segundo o baixista Dee Dee Ramone, ele os fez tocar por 8 horas o acorde inicial de “Rock"n'Roll Radio”, além de repetir a façanha de os fazer gravar sob a mira de um revolver.
Após tanta confusão, pode-se ouvir o resultado, chamado sintomaticamente de “End of the Century”. De início escutamos um DJ apresentando a banda, e o que viria a ser uma das músicas mais amadas pelos fãs: “Do You Remember Rock'n'roll Radio?” é um clássico, do primeiro acorde (aquele de oito horas), até o fim. Logo se observa a mão do produtor: uso de saxofones e teclados criando uma base sólida para as guitarras brilhares, em um ritmo contagiante.
O interessante é notar que as músicas são típicas dos Ramones, um rock básico, às vezes pesado, às vezes baladeiro, mas sempre contagiante. A produção é que torna os sons de guitarras mais sólidos quando é necessário peso, ou mais esparsos quando o que se quer é delicadeza. A verdade é que Spector não modificou a banda, somente realçou o que já existia lá.
“End of the Century” é um disco aberrante na carreira da banda, que sempre se caracterizou por usar sempre da mesma fórmula (maravilhosa, mas ainda assim uma fórmula) para compor suas canções. Talvez por isso seja um album que polariza a opinião dos fãs, se tornando um exemplo típico de ame ou odeie.
Mas, para mim, é um momento-chave e genial na história da maior banda de punk rock de todos os tempos.
>Duas músicas que salvam a hora: "Do You Remember Rock'n'Roll Radio?" e "I Can't Make It On Time"
03.01.2008 A maior anti-rock band da história voltou em 2006 com um álbum de inéditas, e por quê isso é relevante? Ira Kaplan, sua esposa Georgia Hubley, e James MacNews não são o que se pode chamar de estrelas, apesar de seus mais de 20 anos na estrada são reconhecidos por uma meia dúzia de pessoas infelizmente. Pior para o resto do mundo que não conhece o pluralismo de sons que dessa banda que é uma instituição no universo indie. Voltando ao disco, depois dos últimos registros serem bem mais intimistas e calmos, parece que o Yo La Tengo ainda ama guitarras e Kaplan sabe muito bem como tocar de um jeito selvagem. Mas isso não quer dizer que o trio de Nova Jersey tenha saudades do passado com o novo álbum. Ou quase. “I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass” é tão variado em sua proposta de explorar todos os territórios já percorridos pela banda que soa quase como uma coletânea, mas feita só de músicas novas. E não é um disco essencialmente roqueiro. Músicas como "Mr Tough", "Beanbag Chair", "The Race is Won Again" têm um componente de pop sonhador, bem feito, gostoso de ouvir, mas são canções em que as melodias fáceis falam bem mais alto que as guitarras. O oposto acontece com a dupla "I Should Have Known Better" e "Watch Out For Me Ronnie", picos bem rock'n'roll entre as 15 músicas do álbum. Não é à toa que “I Am Not Afraid” termina com os mais de 11 minutos de "The Story of Yo La Tengo". Na verdade, se não fosse tão ridículo, esse bem que poderia ser o título do disco. E obrigado por o Real estar tão valorizado, pois somente consegui o CD pelos nossos “hermanos” argentinos da Ultra Pop, pois não entendi até agora o motivo do disco ainda ser inédito no nosso querido país!
>Duas músicas que salvam a hora: "Mr. Tough" e "I Should Have Known Better"
O álbum debutante do Pink Floyd foi tirado de um capítulo do livro de criança favorito de Syd Barrett, “The Wind in the Willows” (O Vento nos Salgueiros em uma tradução livre), e a lírica imagem do flautista nas portas do alvorecer traduz bem o espírito do único registro fonográfico liderado por Barrett. Músicas sobre espantalhos, gnomos, bicicletas e contos de fadas misturadas numa aura psicodélica com o estranho cruzamento do som da guitarra Danelectro de Syd (tocada aos pedaços) e dos teclados de Rick sobre a cozinha anfetamínica de Waters e Mason. Gravado no estúdio 1 do complexo da EMI (que mais tarde viria a ser conhecido como Abbey Road), Piper foi concebido enquanto os Beatles terminavam seu megaprojeto “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” no estúdio ao lado, o 2. A vibração psicodélica estava no ar e muitos cogitam a possibilidade de um disco ter influído no outro, devido aos encontros esporádicos entre Barrett e John Lennon nos corredores da gravadora, saindo dos estúdios para fumar um cigarro ou tomar uma xícara de chá. “The Piper at the Gates of Dawn” é o disco mais pop e mais psicodélico simultaneamente que a história do rock já viu.
>Duas músicas que salvam a hora: "Astronomy Domine" e "Lucifer Sam"
01º.01.2008 Em uma cena musical de final de século onde reinavam nas paradas de um lado 'N Sync e do outro Limp Bizkit, aparecem com seu sexto álbum o último bastião da resistência grunge com um trabalho consistente. Sem causar estranheza, decidiram preservar-se num mundo sem sinceridade para fazer barulho de qualidade. Contando agora na bateria com Matt Cameron, ex-Soundgarden, o som da banda parece mais aberta ao experimentalismo sem que soasse mudança de rumo, pois já era algo que faziam desde “Vitalogy”, só que agora melhor trabalhado e com vários estilos distintos misturados pelo CD. As canções são mais afiadas, a produção é esmerada, e os desempenhos são tão compassivos como nunca. Boa maneira de se despedir da década que surgiram.
>Duas músicas que salvam a hora: "Breakerfall" e "Nothing As It Seems"
31.12.2007 Coletânea da americana Castle records (?) de músicas “desligadas” do Pearl Jam, as quais não têm nenhum parentesco com as tocadas no projeto da MTV depois do álbum “Vs.”, que virou apenas um especial da emissora depois que os integrantes da banda reclamaram da qualidade das gravações. Reúne shows ao vivo e “bootlegs” e mostra, mesmo com qualidade de áudio abaixo da média, como cativar o público com o desprendimento de músicas acústicas, no embalo do balanço dos isqueiros (hoje em dia, celulares), e o jeitão boa-praça de Vedder. Uma aula de como ser uma banda de rock de verdade. No final do CD, como bônus, aparecem as músicas que mais tocaram nas rádios a época, “Last Kiss” e “Soldier Of Love”, que, para os que não estavam na Terra no início da década de 90, foram os primeiros grandes sucessos e povoaram vários bailinhos e festas de formatura.
>Duas músicas que salvam a hora: "Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town" e "Soldier Of Love"
Banda que é banda sabe sair do jogo quando está ganhando, “Terror Twilight” é o último disco de uma das melhores coisas que aconteceram nos anos 90. O Pavement optou pela terceira via na onda underground. Criou boatos e expectativas em todos os momentos de sua carreira: a ascensão como um pequeno culto feita com velhos vinis em branco com apenas o nome da banda escrito com pincel atômico, o baterista maluco (Gary Young, um hippie velho tratado como um semideus do rock), as gravações vagabundas, os créditos (SM, Spiral Stairs). Tudo era pensado como um falso documentário de uma banda indie perfeita. Se divertindo à medida que eram levados a sério. Alívio por ter passado a adolescência sem queimar-se ou tornar-se um chato. O Pavement não está mais nessa pelo rock, mas pouca gente está. O que importa é, importando-se ou não com o produto final, ele não pode parecer forçado ou fingido. Estão fazendo o que sempre quiseram fazer - sendo uma banda de rock perfeita -, mas não querem mais ser isso. Então aproveitam enquanto o sonho de outrora ainda lhes dá prazer. Terror Twilight caminha nesse compasso. Não é sério, mas também não é engraçado; se diverte, mas não está lá pra isto. Assiste a vida passar sem se preocupar que fim vai dar, fazendo o que dá vontade.
>Duas músicas que salvam a hora: "Ann Don't Cry" e "Harness Your Hopes"
Eu não sei dançar, apenas engano.
não sei cantar, apenas tento.
e às vezes nem sei agir...
Sou desobediente e organizado do meu jeito.
Valorizo família.
Não me sinto à vontade em certos lugares, ficando impossível de agir naturalmente.
Aliás, quem realmente me conhece nem precisa perguntar como estou, só pelos meus atos e minha cara já se sabe, mesmo se tentar esconder, sempre deixo algo escapar.
Gosto de atazanar as pessoas, geralmente quando estão entretidas com algo. Acho extremamente divertido.
Por falar em divertido, se você me encontrar tendo um ataque de risos, não me pergunte o porquê, não conseguirei responder e só irá fazer a crise piorar.
Tenho manias idiotas.
Meu maior medo é magoar aqueles que eu gosto, então pareço um idiota, às vezes, pedindo desculpas sem motivo.
Se você por um acaso for surpreendido por um presente meu, preocupe-se, você deve ser importante na minha vida.
Ninguém acredita no tamanho da minha timidez.
Detesto acordar cedo quando não preciso.
Gosto de surpresas, das que são boas, principalmente aquelas que noto que a pessoa, por alguns minutos, reparou nos meus pequenos gostos, que exigem pequenos gestos.
Pessoa comum e coerente...