01º.02.08 Pela excelente contribuição para o bom rock, se o Interpol parasse sua carreira após o segundo disco daria uma imensa vontade de quero mais, porém resolveram continuar. E brilhantemente. Essa é uma das poucas bandas da nova geração que ainda me dá uma sensação de esperança na cena musical dos dias de hoje. “Our Love To Admire” é o resultado de uma carreira coesa e com muita personalidade. Desde que ligou as guitarras rápidas em “Turn On The Bright Lights” e surpreendeu o mundo, a banda garantiu seu lugar, encontrando milhões de pseudodarksaudosistadepressivos que ainda ouviam “Love Will Tear Us Apart” em boates no século 21. Neste registro fonográfico, vamos parar no meio de uma savana na África. As imagens do CD, que também aparecem no site da banda, são cruas, violentas, ameaçadoras, cruéis. Apresentar essa perspectiva do amor como admirável pode ser uma grande ironia ou um grande desafio, mas é o que o Interpol parece fazer neste trabalho. Longe do romantismo evidente e fácil, as letras do vocalista Paul Banks não contam historinhas. Elas são um mosaico de metáforas que aludem disputas, escolhas, medos e as implacáveis leis da natureza, que se aplicam ao homem e à estranha lógica de seus relacionamentos. A segurança quase arrogante com que a banda se afirma e se supera musicalmente se destaca em “Our Love to Admire”. Entre tantos grupos que agradam porque surpreendem pela simplicidade e entusiasmo, este quarteto nova-iorquino se coloca à parte por ser um dos poucos que empinam o nariz, mas dão conta do recado. O Interpol faz sua música à altura da pose. “Our Rock to Admire”, eles poderiam dizer, porque a qualidade do que fazem é realmente digna da admiração que estes competentes e superlativos músicos merecem. Bom, vou preparar o bolso pois dia 11 de Março eles tocam no Via Funchal!!!
>Duas músicas que salvam a hora: "No I In Threesome" e "The Heinrich Maneuver"
O título deste álbum seria algo como “Enganar o Mundo” em francês, porém não é nada mais que o disco de despedida dos Pixies que não enganaram ninguém no quesito fazer um bom barulho na falta de criatividade reinante do final/começo de décadas. Na verdade está mais para um disco solo de Black Francis, uma vez que Kim Deal pouco aparece no disco; talvez se não estivessem de “biquinho” um para o outro, o resultado teria sido ainda melhor. Pelas músicas nota-se que o fascínio de Francis por ficção científica trilha a audição. O disco abre com a pomposa faixa-título, “Trompe Le Monde”, mais um exemplo de melodia grudenta que o Pixies fazia como ninguém. Logo depois, vem “Planet of Sound”, que foi composta para nossos amigos marcianos, numa espécie de descrição de Black Francis do planeta em que vive (por sinal, bastante barulhento). “Alec Eiffeel” é uma singela música doce e bonitinha que provoca inevitáveis sorrisos em quem a escuta pela primeira vez, principalmente quando chega a parte “oh Alexander I see you beneath / the archway of aerodynamics”... “The Sad Punk”, com elementos hardcore, é uma porrada de primeira, regada com os costumeiros berros ensandecidos inspiradíssimos. Aparece então uma cover: “Head On” na verdade uma versão mais teatral (tragicômica) do clássico do Jesus And Mary Chain, tributo mais do que válido. “U-mass” denuncia com ironia a mediocridade dos incautos universitários sendo manipulados por um sistema hipócrita: “it’s educational”. "Subbacultcha" é das mais inventivas em termos rítmicos, provocativa e menos centrada na pauleira tradicional. "Palace Of The Brine" e "Letter To Memphis" são verdadeiras aulas de como se construir uma canção pop sem abrir mão dos princípios alternativos. Extremamente belas e melódicas. "Bird Dream Of The Olympus Mons" têm um climão, "Lovely Day" é a última surf-music-frenética que eles fizeram e "Motorway To Roswell" investe novamente nas contruções melódicas que permeiam o trabalho. “Distance Equals Rate Times Time” parece seguir o mesmo padrão de “Bird Dream...”, porém ainda mais lisérgico. O baixo de Kim dita a última faixa, “The Navajo Know”, explicitando a sua crucial importância para a história do Pixies. Apesar de ser o último disco da banda, “Trompe Le Monde” ainda consegue manter a qualidade Pixies de sempre, mesmo que as brigas e intrigas já estivessem em um estágio avançado, que mais tarde culminaria no fim da banda.
>Duas músicas que salvam a hora: "Head On" e "Motorway To Roswell"
28.01.2008 No início dos anos 70, o mundo ainda vivia o efeito devastador da transformação social ocorrida no final da década passada. Reinava a expectativa de sobre como o mundo reagiria dali por diante após mudanças tão radicais. Os dias atravessados por Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright não eram nada comparados aos passados acerca de três anos antes. Quando a nova década se avistava, um novo álbum precisava ser lançado. A concepção do projeto “Atom Heart Mother” não foi nada fácil. A obra tinha que causar impacto, prenunciando como seria o novo Pink Floyd. Após várias discussões, veio de Roger Waters a idéia de compartilhar o processo de autoria do álbum com Ron Geesin, músico de jazz, expoente da cena vanguardística londrina. A idéia foi de pronto apoiada por Mason, que o conhecia de outros tempos, pois trabalhava com a produção de trilhas sonoras de filmes e programas de televisão. Várias demos de material inédito foram entregues a Geesin, sob o desafio de que ele conseguisse extrair desse material algo que prestasse. As fitas se constituíam, na maior parte, de sobras de gravações das referidas trilhas sonoras. Após quebrar a cabeça pensando no que fazer, ele propôs à banda algo inédito até então na música pop mundial: a elaboração de uma suíte, nos moldes dos clássicos eruditos, subdivididas em vários atos. Foi a partir daí que surgiu a polêmica faixa título do álbum. Trancafiados nos estúdios da EMI, em Abbey Road, o Pink Floyd deu início às gravações de um dos discos que mais despertam sentimentos ambíguos: ou se detesta ou se admira, não há como ser indiferente. “Atom Heart Mother”, a música, se apresentou como uma grande peça teatral, subdividida em seis atos. A suíte apresentou uma duração aproximada de 24 minutos. O início é impactante com “Father’s Shout”, onde é dada uma pequena demonstração do virtuosismo do grupo, tendo ao fundo a desafinação dos instrumentos de sopro simulando vozes humanas. Após, vem “Breast Milky”, marcada pela impecável interpretação do coral, sustentada pela melodia marcante dos teclados de Wright. “Mother Fore” retoma a instrumentalidade da faixa, com uma estrutura bluesística, alternada com vocais furiosos. “Funky Dung” apresenta a experimentação das faixas em estúdio de “Ummagumma”, onde uma mescla de ruídos estereofônicos cria um cenário de suspense, originando uma estrutura que viria a ser retomada em “Echoes” (do álbum "Meddle") e “On The Run” (de "Dark Side of The Moon"). “Mind Your Throat Please” retoma a musicalidade da canção. O “grand finale” vem com “Remergence”, que repete as estruturas da primeira parte, em um final apoteótico. A faixa é uma experiência auditiva fantástica, visto que o álbum foi um dos primeiro a ser gravados no sistema quadrofônico estéreo, que subdividia o som de cada instrumento em um canal diferente para o ouvinte. Algo complexamente trabalhado que tomou o lado A inteiro do álbum, numa experiência inédita no Rock mundial. O lado B do álbum começa com a cativante “If”, de autoria de Waters. À primeira vista parece uma cantiga de ninar, porém, quando examinada a letra se vê uma forte ode à insanidade humana. O violão dedilhado cortado pela guitarra de Gilmour é um clássico. A letra, marcada por suposições, (vide os versos “If i were a swan, I’d be gone / If I were a train, I’d be late / If I go insane / Please don’t put your wires in my brain”) foi feita, sem dúvida, em homenagem a Syd Barret e seu momento difícil. Segue-se a esta “Summer ‘68”, uma das melhores músicas do grupo. De autoria de Wright, trata-se de uma canção singela sobre um relacionamento efêmero seu com uma groupie no verão de 1968. A música segue o seu curso normal até que, de repente, é cortada pela clássica intervenção de Gilmour gritando “How do you feel?”, como se questionando o ouvinte do que sente no momento. A faixa de Gilmour, “Fat Old Sun”, traz a mesma estrutura melodiosa anteriormente apresentada pelo grupo na faixa “Green Is The Colour”, da trilha do filme “More”. Trata-se de uma balada, onde a melhor parte, sem dúvida, é o solo de guitarras no fim da faixa. “Fat Old Sun” ficou famosa por ser a música de trabalho do álbum e pela interpretação forte do grupo em seus shows ao vivo, em quase nada lembrando a versão calma gravada em estúdio. O disco acaba com “Alan Psichedelic Breakfast”, outra faixa conceitual. Com duração de cerca de 13 minutos e subdividida em três atos (“Rise and Shine”, “Sunny Side Up” e “Morning Glory”), a faixa consiste basicamente em experiências estereofônicas que buscam retratar sonoramente o café da manhã de Alan Stiles, um dos roadies do grupo. Na faixa, é possível ouvir o bacon fritando e alguém fazendo sua higiene pessoal. A música só foi interpretada uma vez ao vivo, tendo a banda, no palco, fritado o bacon e tomado café em frente a um incrédulo público. Além da música, o disco tem uma das capas mais enigmáticas da história da música. O bovino mais famoso do rock mundial aparece tanto no vinil, quanto no CD. A rês Lullubelle III, uma cruza das raças holandesa e normanda (ao contrário de suas colegas da contracapa, puramente holandesas), foi fotografada em uma propriedade rural do interior da Inglaterra. A gravadora pagou ao dono da propriedade cerca de mil libras pelos “direitos de imagem” do animal. A propriedade virou ponto turístico, e Lullubelle, uma celebridade do showbusiness mundial.
>Duas músicas que salvam a hora: "If" e "Fat Old Sun"
23.01.2008 25.01.2008 Por muitos anos, este álbum duplo foi um dos mais populares na fase pré-“Dark Side of the Moon” do Pink Floid, chegou a ser o 5º mais vendido no Reino Unido e o 74º nos EUA, sendo a primeira vez que a banda conseguia pôr um álbum na lista norte americana dos 100 mais vendidos. O álbum gravado ao vivo registra apresentações no Mothers Club Birmingham em 27 de Abril de 1969, e na semana seguinte no Manchester College of Commerce em 02 de Maio. Todas as canções são muito superiores às originais de estúdio, são tocadas “louder and harder”. Já em sua parte de estúdio, há uma grande amostra de experimentalismo dos integrantes, onde cada um destila seu instrumento em faixas quase todas instrumentais. A capa do álbum tem variantes entre as versões britânica (e canadense) e a americana. A versão britânica tinha Gigi escrito imediatamente acima do nome da banda, o que foi apagado na versão americana possivelmente devido a questões de copyright. Outra curiosidade é possuir a música com o maior título da história do Pink Floyd, e provavelmente da história do rock: “Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict”
>Duas músicas que salvam a hora: "Set the Controls for the Heart of the Sun" e "Grantchester Meadows"
22.01.2008 Anos 80. Década do auge das bandas de hard rock. Quando tudo parecia estar resumido à maquiagem, purpurina e cabelos repicados, surge nos EUA uma bandas que daria vida nova ao circuito do rock alternativo: Pixies. Com um som que mesclava elementos básicos do punk rock, surf music, noisy guitar, passando mesmo pela suavidade da música pop, o Pixies surgiu como um cometa, ou melhor, um meteoro: rápido e fulminante. A banda foi formada em Boston, Massachusetts, no começo de 1986, por Charles Thompson, que depois mudaria seu nome para Black Francis (mais tarde, ele mudaria para Frank Black, mas ai já é uma outra história), nos vocais e guitarra base, e seu companheiro de quarto na universidade Joey Santiago na guitarra base. Através de um anúncio nos classificados encontraram Kim Deal, uma baixista de Ohio, que tocara antes com sua irmã no The Breeders. Completa a formação o baterista David Lovering (amigo de Deal). A banda foi batizada por Black, que gostou da definição que o dicionário trazia para "PIXIES": pequeno elfo malicioso. Quando 1990 chega e é lançado o terceiro álbum “Bossanova”, nota-se os primeiros sinais de que nem tudo eram flores no mundo encantado dos Pixies. Brigas internas entre Black e Deal começavam a minar o futuro da banda. Sendo que as participações vocais da baixista rareavam.
>Duas músicas que salvam a hora: "Velouria" e "All Over The World"
21.01.2008 1977, auge do punk rock. A onda é fazer barulheira simples e direta, e dizer que faz isso como protesto contra o rock clássico e cheio de firulas. E é no meio do fogo cruzado entre as superproduções dos anos 70 e a barulheira do punk raivoso que o até então professor Mark Knopfler, seu irmão mais novo, o assistente social Davis Knopfler (ambos nascidos em Glasgow e criados em Newcastle) e o estudante de sociologia, John Illsey juntam-se a Pick Whiters, ex-baterista dos estúdios Dave Edmund's Rockfield para propor uma misturava influências de blues, country e jazz e formar uma das poucas bandas que conseguiram fazer com seu som uma assinatura. É difícil fechar os olhos ouvindo alguns dedilhados na guitarra de Mark e não associar o som ao Dire Straits. “Communiqué” é o segundo álbum da banda. Gravado nas Bahamas depois do estrondoso sucesso da estréia, conseguiram firmar-se no cenário musical desmentindo aqueles que não acreditavam na capacidade de Mark surgir com novos riffs e até superar em vendagem o primeiro álbum.
>Duas músicas que salvam a hora: "Communiqué" e "Lady Writer"
18.01.2008 Compilação do selo Azuli Records que dá oportunidade aos artistas e produtores de mostrar as músicas que tocam em seu playlist de casa, além de produzirem os mais belos encartes de CD dos que tenho visto. No site da série falam que é pedido para os convidados a colocar músicas que os inspiram a fazer seu trabalho. Gente de peso já passou por essa experiência como Fatboy Slim, AIR, The Flaming Lips, Jamiroquai e Groove Armada. Agora foi a vez do Belle And Sebastian. O álbum mostra bastante de onde vem sua pluralidade musical e como se tornaram queridinhos do mundo Indie. Com uma seleção que vai do hip-hop à música clássica; e é claro, declaram seu amor ao Brasil colocando uma música de Gal Costa e cantando outra em português (Cassaco Marrom). Excelente e surpreendente disco, para colocar em pequenas reuniões ou mesmo para relaxar a mente após um dia de trabalho e lembrar que existem coisas boas na vida.
>Duas músicas que salvam a hora: “Here's What's Left" e "French Disko"
A saída de Barrett foi um grande choque para a banda. Como o Pink Floyd poderia continuar sem seu idealizador, compositor e guitarrista? Muitos previam a morte certa da banda. Mas uma nova era estava prestes a surgir. O álbum “More” foi o início tímido desses novos tempos. O terceiro disco da banda foi feito sob encomenda, a pedido do diretor francês Barbet Schroeder, para compor a trilha sonora do filme homônimo. Foi o primeiro trabalho de Shroeder como diretor. Pouco é conhecido sobre a gravação do álbum, porém, segundo Roger Waters, a trilha sonora foi um tipo de “favor pessoal”. As canções foram gravadas em apenas uma semana durante o mês de março de 1969, quando a banda interrompeu a gravação de “Ummagumma” para trabalhar no “favor”. O disco revela uma banda mais bucólica, contendo momentos que flertam com o Heavy Metal e o Blues. Aqui Waters já começa a demonstrar sua capacidade como competente letrista. Vale ressaltar que More foi o primeiro álbum totalmente produzido pelo Pink Floyd.
>Duas músicas que salvam a hora: "Green Is the Colour" e "Cymbaline"
15.01.2008 Em 1992, então em início de carreira, o Pearl Jam fez show acústico para a MTV. Como já disse antes, a banda não curtiu o resultado; a gravação foi esquecida e se tornou item valioso entre a discografia pirata do grupo americano. Daí o interesse por “Benaroya Hall Oct. 22nd 2003”, primeiro álbum acústico oficial do Pearl Jam. Nada mais justo ser gravado em sua cidade natal, Seattle (EUA), terra natal do grupo, a guitarra elétrica não é totalmente dispensada, mas os violões estão em primeiro plano. O disco duplo reúne 26 músicas, totalizando mais de duas horas. Apesar de seu tom linear, o CD preserva a energia da banda em cena. A seleção do repertório que é de causar espanto. O Pearl Jam não se deu ao trabalho de adaptar para o formato acústico seus maiores sucessos mais pesados, casos de “Alive” e “Even Flow”. A opção foi por pérolas do “lado B” do grupo (muitas recuperadas no álbum Lost Dogs) e por músicas que já se enquadravam por natureza num ambiente acústico. Entre recriações de sua produção autoral, o Pearl Jam faz boas incursões pelos repertórios de Bob Dylan em “Masters of War”, “I Believe In Miracles” dos Ramones, Shel Silverstein em "25 Minutes to Go" (imortalizado por Johnny Cash em seu álbum ao vivo “At Folsom Prison”), e "Crazy Mary" de Victoria Williams. O cover de “Masters of War”, de Dylan, é especialmente brilhante, com a voz de Eddie Veder em crescente escala emocional. Grunge fora da tomada!
>Duas músicas que salvam a hora: "I Believe In Miracles" e "Daughter"
11.01.2008 Desde que o Pearl Jam lançou o álbum "Binaural" (2000), uma série de coisas aconteceu com a banda e com o mundo. 11 de setembro. A tristeza de perder nove fãs no Festival de Roskilde, na Dinamarca. Talvez tenha sido tanto sofrimento para pessoas tão esperançosas, lutadoras e defensoras de causas nas quais acreditavam piamente, que a quebra foi inevitável. O Grunge ficou para trás e 2002 foi o ano do lançamento do sétimo álbum de estúdio de uma das bandas mais adoradas, odiadas e copiadas da década de 90. E, ao contrário do que se pode imaginar, dessa vez a quebra foi grande mesmo. A essa altura, tudo que deveria ser dito sobre o álbum do final de 2002 já deve ter sido dito. Ou quase tudo. A maior parte das 15 faixas do álbum trata de temas como o questionamento da vida e da morte, conflitos pessoais e o amor. É nítida uma preocupação com a forma como o homem guia o mundo, onde a ganância e o egoísmo ditam as regras. O antagonismo de sentimentos presente nas músicas de "Riot Act" acaba por isolar certas canções e destacá-las, merecidamente ou não, por sua singularidade em relação ao todo. "Green Disease" poderia ter figurado em "O Descobrimento do Brasil" da Legião Urbana, se fosse em português; e, claro, "Love Boat Captain", a canção em que Eddie exorciza os monstros dos nove jovens mortos durante a turnê de "Binaural" com versos de Lennon ("I know it’s already been sung, it can’t be said enough: Love is all we need, all we need is love."). No entanto, a revolta com o mundo, que culmina na pergunta de "1/2 Full" ("Won't someone save? /Won't someone save... /The world?"). "Riot Act" mostra um Pearl Jam cansado de lutar sozinho e pedindo ajuda para que outros passem a comprar a briga. Não soa como uma despedida, mas nos dá indícios de que até eles já se incomodaram com o fato de nada ter mudado em “Bushleaguer”, uma declarada crítica ao presidente americano ("I remember when you sang/That song about today/Now it's tomorrow and/Everything has changed"). O sonho de doze anos atrás não se realizou e as decepções acabaram por nos presentear com um álbum cheio de homenagens àqueles que, com boas influências, cruzaram o caminho da banda. Por isso mesmo, Lennon ganha novo timbre e Neil Young, de "Harvest Moon", volta a ser lembrado com uma gostosa balada, "Thumbing My Way". Com tantos anos na estrada, o Pearl Jam ainda não foi cercado pela complacência musical que vem com o avanço da idade. "Riot Act" é um dos mais interessantes álbuns já feitos, em especial, as composições. O encarte do álbum segue o padrão similar ao dos anteriores, com uma capa bem elaborada e um livreto com letras (batidas à máquina por Vedder) e fotos tiradas pelo baixista Jeff Ament e o fotógrafo Danny Clinch. O álbum é dedicado a John Entwistle (baixista do The Who, que faleceu em abril de 2002), Dee Dee Ramone (baixista do Ramones, faleceu em 2002) e Ray Brown.
>Duas músicas que salvam a hora: "Cant Keep" e "Green Disease"
08.01.2008 Álbum de transição onde a banda despedia-se das canções relativamente concisas e vívidas de Syd Barrett para as etéreas e espaciais músicas instrumentais. Na excursão para promover o primeiro disco nos Estados Unidos, a qual obrigatoriamente deveria passar pelos principais programas de auditório, Barrettt, já afetado pelo LSD, ficava no palco olhando o horizonte, nos shows permanecia parado tocando a mesma nota; para uma banda que almejava o profissionalismo não era esse um comportamento saudável. David Gilmour foi recrutado para agüentar a ponta, sem trocadilho. No disco, a influência de Barrett ainda é sentida, a jovial "Jugband Blues" é a última contribuição para o Pink Floyd com letra autobiográfica, e parece descrever sua esquizofrenia. Porém, já se visualiza a liderança nesta segunda fase da banda por Roger Waters; em "Corporal Clegg" mostra o começo de sua obsessão pelo recorrente tema da Segunda Guerra Mundial, onde perdeu seu pai. O Rock Progressivo de suíte longa inunda a faixa título, que seria uma trilha para os próximos álbuns.
>Duas músicas que salvam a hora: "Remember A Day" e "Corporal Clegg"
“It's the end, the end of the 70's. /It's the end, the end of the century.” Cantava Joey Ramone despedindo-se da década que lançou o grupo.
Em 1980, os Ramones já tinham quatro discos lançados em menos de 3 anos. Somente por “Ramones”, “Leave Home”, “Rocket to Russia” e “Road to Ruin” eles já teriam o nome escrito na história do rock. O disco homônimo é o primeiro lançado por uma banda punk, o mais cru de todos, mas já continha a semente do que a banda sempre soube, e quis ter: sensibilidade pop, refrões ganchudos e as letras de amor. Os dois albuns seguintes aumentaram essa tendência bubblegum, até que em “Road to Ruin” eles voltaram a um som mais pesado.
É então que Joey, que sempre foi a alma pop do grupo, resolve realizar um sonho de adolescência: gravar um disco produzido por Phil Spector. O criador do Wall of Sound e mentor das Ronettes, Shirelles e tantos outros Girl Groups do início dos anos 60 não produzia mais tantas bandas, e sendo um fã desse pop dourado e reverberante, Joey resolveu que seria uma boa idéia.
Spector era um gênio, claro. Mas também era insano. Famoso por ameaçar John Lennon com uma arma, não se comportou de forma diferente com a banda. Perfeccionista, segundo o baixista Dee Dee Ramone, ele os fez tocar por 8 horas o acorde inicial de “Rock"n'Roll Radio”, além de repetir a façanha de os fazer gravar sob a mira de um revolver.
Após tanta confusão, pode-se ouvir o resultado, chamado sintomaticamente de “End of the Century”. De início escutamos um DJ apresentando a banda, e o que viria a ser uma das músicas mais amadas pelos fãs: “Do You Remember Rock'n'roll Radio?” é um clássico, do primeiro acorde (aquele de oito horas), até o fim. Logo se observa a mão do produtor: uso de saxofones e teclados criando uma base sólida para as guitarras brilhares, em um ritmo contagiante.
O interessante é notar que as músicas são típicas dos Ramones, um rock básico, às vezes pesado, às vezes baladeiro, mas sempre contagiante. A produção é que torna os sons de guitarras mais sólidos quando é necessário peso, ou mais esparsos quando o que se quer é delicadeza. A verdade é que Spector não modificou a banda, somente realçou o que já existia lá.
“End of the Century” é um disco aberrante na carreira da banda, que sempre se caracterizou por usar sempre da mesma fórmula (maravilhosa, mas ainda assim uma fórmula) para compor suas canções. Talvez por isso seja um album que polariza a opinião dos fãs, se tornando um exemplo típico de ame ou odeie.
Mas, para mim, é um momento-chave e genial na história da maior banda de punk rock de todos os tempos.
>Duas músicas que salvam a hora: "Do You Remember Rock'n'Roll Radio?" e "I Can't Make It On Time"
03.01.2008 A maior anti-rock band da história voltou em 2006 com um álbum de inéditas, e por quê isso é relevante? Ira Kaplan, sua esposa Georgia Hubley, e James MacNews não são o que se pode chamar de estrelas, apesar de seus mais de 20 anos na estrada são reconhecidos por uma meia dúzia de pessoas infelizmente. Pior para o resto do mundo que não conhece o pluralismo de sons que dessa banda que é uma instituição no universo indie. Voltando ao disco, depois dos últimos registros serem bem mais intimistas e calmos, parece que o Yo La Tengo ainda ama guitarras e Kaplan sabe muito bem como tocar de um jeito selvagem. Mas isso não quer dizer que o trio de Nova Jersey tenha saudades do passado com o novo álbum. Ou quase. “I Am Not Afraid of You and I Will Beat Your Ass” é tão variado em sua proposta de explorar todos os territórios já percorridos pela banda que soa quase como uma coletânea, mas feita só de músicas novas. E não é um disco essencialmente roqueiro. Músicas como "Mr Tough", "Beanbag Chair", "The Race is Won Again" têm um componente de pop sonhador, bem feito, gostoso de ouvir, mas são canções em que as melodias fáceis falam bem mais alto que as guitarras. O oposto acontece com a dupla "I Should Have Known Better" e "Watch Out For Me Ronnie", picos bem rock'n'roll entre as 15 músicas do álbum. Não é à toa que “I Am Not Afraid” termina com os mais de 11 minutos de "The Story of Yo La Tengo". Na verdade, se não fosse tão ridículo, esse bem que poderia ser o título do disco. E obrigado por o Real estar tão valorizado, pois somente consegui o CD pelos nossos “hermanos” argentinos da Ultra Pop, pois não entendi até agora o motivo do disco ainda ser inédito no nosso querido país!
>Duas músicas que salvam a hora: "Mr. Tough" e "I Should Have Known Better"
O álbum debutante do Pink Floyd foi tirado de um capítulo do livro de criança favorito de Syd Barrett, “The Wind in the Willows” (O Vento nos Salgueiros em uma tradução livre), e a lírica imagem do flautista nas portas do alvorecer traduz bem o espírito do único registro fonográfico liderado por Barrett. Músicas sobre espantalhos, gnomos, bicicletas e contos de fadas misturadas numa aura psicodélica com o estranho cruzamento do som da guitarra Danelectro de Syd (tocada aos pedaços) e dos teclados de Rick sobre a cozinha anfetamínica de Waters e Mason. Gravado no estúdio 1 do complexo da EMI (que mais tarde viria a ser conhecido como Abbey Road), Piper foi concebido enquanto os Beatles terminavam seu megaprojeto “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” no estúdio ao lado, o 2. A vibração psicodélica estava no ar e muitos cogitam a possibilidade de um disco ter influído no outro, devido aos encontros esporádicos entre Barrett e John Lennon nos corredores da gravadora, saindo dos estúdios para fumar um cigarro ou tomar uma xícara de chá. “The Piper at the Gates of Dawn” é o disco mais pop e mais psicodélico simultaneamente que a história do rock já viu.
>Duas músicas que salvam a hora: "Astronomy Domine" e "Lucifer Sam"
01º.01.2008 Em uma cena musical de final de século onde reinavam nas paradas de um lado 'N Sync e do outro Limp Bizkit, aparecem com seu sexto álbum o último bastião da resistência grunge com um trabalho consistente. Sem causar estranheza, decidiram preservar-se num mundo sem sinceridade para fazer barulho de qualidade. Contando agora na bateria com Matt Cameron, ex-Soundgarden, o som da banda parece mais aberta ao experimentalismo sem que soasse mudança de rumo, pois já era algo que faziam desde “Vitalogy”, só que agora melhor trabalhado e com vários estilos distintos misturados pelo CD. As canções são mais afiadas, a produção é esmerada, e os desempenhos são tão compassivos como nunca. Boa maneira de se despedir da década que surgiram.
>Duas músicas que salvam a hora: "Breakerfall" e "Nothing As It Seems"
31.12.2007 Coletânea da americana Castle records (?) de músicas “desligadas” do Pearl Jam, as quais não têm nenhum parentesco com as tocadas no projeto da MTV depois do álbum “Vs.”, que virou apenas um especial da emissora depois que os integrantes da banda reclamaram da qualidade das gravações. Reúne shows ao vivo e “bootlegs” e mostra, mesmo com qualidade de áudio abaixo da média, como cativar o público com o desprendimento de músicas acústicas, no embalo do balanço dos isqueiros (hoje em dia, celulares), e o jeitão boa-praça de Vedder. Uma aula de como ser uma banda de rock de verdade. No final do CD, como bônus, aparecem as músicas que mais tocaram nas rádios a época, “Last Kiss” e “Soldier Of Love”, que, para os que não estavam na Terra no início da década de 90, foram os primeiros grandes sucessos e povoaram vários bailinhos e festas de formatura.
>Duas músicas que salvam a hora: "Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town" e "Soldier Of Love"
Banda que é banda sabe sair do jogo quando está ganhando, “Terror Twilight” é o último disco de uma das melhores coisas que aconteceram nos anos 90. O Pavement optou pela terceira via na onda underground. Criou boatos e expectativas em todos os momentos de sua carreira: a ascensão como um pequeno culto feita com velhos vinis em branco com apenas o nome da banda escrito com pincel atômico, o baterista maluco (Gary Young, um hippie velho tratado como um semideus do rock), as gravações vagabundas, os créditos (SM, Spiral Stairs). Tudo era pensado como um falso documentário de uma banda indie perfeita. Se divertindo à medida que eram levados a sério. Alívio por ter passado a adolescência sem queimar-se ou tornar-se um chato. O Pavement não está mais nessa pelo rock, mas pouca gente está. O que importa é, importando-se ou não com o produto final, ele não pode parecer forçado ou fingido. Estão fazendo o que sempre quiseram fazer - sendo uma banda de rock perfeita -, mas não querem mais ser isso. Então aproveitam enquanto o sonho de outrora ainda lhes dá prazer. Terror Twilight caminha nesse compasso. Não é sério, mas também não é engraçado; se diverte, mas não está lá pra isto. Assiste a vida passar sem se preocupar que fim vai dar, fazendo o que dá vontade.
>Duas músicas que salvam a hora: "Ann Don't Cry" e "Harness Your Hopes"
Eu não sei dançar, apenas engano.
não sei cantar, apenas tento.
e às vezes nem sei agir...
Sou desobediente e organizado do meu jeito.
Valorizo família.
Não me sinto à vontade em certos lugares, ficando impossível de agir naturalmente.
Aliás, quem realmente me conhece nem precisa perguntar como estou, só pelos meus atos e minha cara já se sabe, mesmo se tentar esconder, sempre deixo algo escapar.
Gosto de atazanar as pessoas, geralmente quando estão entretidas com algo. Acho extremamente divertido.
Por falar em divertido, se você me encontrar tendo um ataque de risos, não me pergunte o porquê, não conseguirei responder e só irá fazer a crise piorar.
Tenho manias idiotas.
Meu maior medo é magoar aqueles que eu gosto, então pareço um idiota, às vezes, pedindo desculpas sem motivo.
Se você por um acaso for surpreendido por um presente meu, preocupe-se, você deve ser importante na minha vida.
Ninguém acredita no tamanho da minha timidez.
Detesto acordar cedo quando não preciso.
Gosto de surpresas, das que são boas, principalmente aquelas que noto que a pessoa, por alguns minutos, reparou nos meus pequenos gostos, que exigem pequenos gestos.
Pessoa comum e coerente...